Dizes que falo de mais, que me exprimo de mais. Dizes que digo parvoices e, eu explico-te que é parvo o que sinto. Dizes que há verdades que não se dizem, pedes que me cale, dizes que não me queres ouvir, dizes que não entendes do que te falo quando te falo a 200km/h, numa velocidade de pensamentos estonteante. E usas os teus truques para me manter calada. Falas de mais para me veres fascinada pelas tuas palavras enquanto as minhas ficam presas na garganta e não saiem. Fazes-me rir para abafar as coisas que poderia dizer, quando tu não me queres ouvir. Ocupas-me o tempo e o espaço, para eu perder as ideias que quero partilhar. Cala-me.
E eu não me calo, partilho o que sinto, o que não sinto e o que gostaria de sentir. Conto-te histórias minhas e dos outros. Falo-te do tempo, da falta de tempo, do mau tempo. Falo-te das coisas cor-de-rosa e das menos coloridas. Falo-te em princesas. Falo-te de fadas e de bruxas. Falo-te de coisas que nunca falei e, falo porque me apetece. Falo das coisas más e das coisas boas. Falo-te só por falar. Falo-te para manter os teus olhos presos aos meus. Falo-te para te poder ver rir de mim. Falo-te só para te mostrar a importância que tem ser ouvida por ti. Falo-te só para que as minhas palavras ao entrarem nos teus ouvidos levem partes de mim e, para que encontrem moradia dentro do teu coração. Falo-te para ficar do lado do avesso do que és.
Um dia, do lado de dentro, poderei falar-te ao coração e, aí sim vais me saber calar.
Ola, estou a passar por cá para te agradecer desde já o gosto demonstrado pelos meus textos. Sente-te a vontade para os publicares aqui (como fizeste com este).
ResponderExcluirVou passando por cá para ver mais alguns textos que andam por ai perdidos nos blogs e que realmente valem a pena.
Beijinhos
Patrícia Mota